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até que esgotem
Algo destes primeiros meses de Covid que me vai deixar saudades: não houve futebol.
Nunca antes me despachei tão depressa no Lidl.
Descobri agora mesmo, embora já com uma semana de atraso, que o Festival da Eurovisão foi cancelado por causa do Covid-19.
Quem visse as filas de agora no supermercado do El Corte Inglés e ouvisse os queixumes dos carrinhos de compras esmagados sob pilhas de carnes e peixes e conservas e garrafões de água, pensaria estarmos na véspera de Natal.
Pepe Le Pew em A Scent of the Matterhorn (1961)
Observava-a naquela tarde de fim de Março, como tantas vezes já o fizera ao longo do Outono e do Inverno. Sentada do outro lado do barco, via-lhe o perfil contornado pelas cintilações do Sol na superfície quase lisa da água. Ocorreu-me, num pensamento vindo do nada, que nunca a tinha visto à chuva. Seguramente, meditei, isso teria acontecido, nem outra coisa fazia sentido - mas por mais que tentasse, nada me veio à memória. Seria ela uma das fadas que dormem nos troncos das árvores e só despertam quando o Sol lhes aquece as folhas? Mas percebi, quase de imediato, o meu erro. Era precisamente o oposto: o Sol, quando ela saía de casa, é que afastava as nuvens para a poder seguir.
É suposto eu voltar para casa. As travessias para o Seixal estão suspensas. O comboio da ponte sai quase cheio da primeira estação e a partir daí geram-se motins para entrar. Acabei agora de jantar nas Picoas, a fazer tempo para que a confusão se vá escoando e a pensar como isto é agradável fora do expediente. Faço contas às horas que vou conseguir dormir até acordar amanhã às seis. E é neste preciso momento de punhos fechados e maxilares contraídos que a MEO decide enviar-me um email de Boas Festas. Que péssimo sentido de oportunidade...
Foi numa tarde húmida e cinzenta de Outono, faz hoje precisamente dez anos, que os nossos destinos se cruzaram.
Dizer isto agora pode parecer um artifício, mas na altura fiquei logo convencido de que daquela vez seria diferente de tudo o que experimentara antes. Desde então, julgo que não passou um único destes dias sem estarmos juntos. Acompanhou-me na minha vida, apoiou-me no meu trabalho, observou sem deslumbramento as minhas (poucas) virtudes e sem julgamento os meus (não tão poucos) vícios. Ao longo destes dez anos viu-me acreditar em dias que haviam de acontecer, perder-me no breu de poços sem fundo, iludir-me com a possibilidade de segundas oportunidades e aceitar a realidade do que vier a seguir.
Dez anos... dez anos é muito tempo, mais do que muitos casamentos. Não foram um permanente mar de rosas, de forma alguma - mas, quando se arrisca deixar a segurança do que sempre se conheceu, é preciso estar-se disposto a aceitar esses momentos de frustração e a aprender um conjunto de rituais a que não estávamos habituados. E talvez o que vou dizer surpreenda alguns dos que me lêem, neste tempo em que se tende a ver tudo como transitório e descartável e a querer viver uma novidade em cada instante: ao fim destes dez anos, ainda não sinto qualquer necessidade de trocá-lo.
Apple Mac Mini (late 2009 model)
Dez anos... tão novinho que eu era (tão novinhos que nós éramos)...
Ontem de manhã, por volta do meio-dia, estava este aviso num dos elevadores da estação de Metro do Chiado:

Considerando a regularidade com que encontro aquele elevador avariado, nuns dias com aviso e noutros sem ele, acho que mais valia o Metropolitano de Lisboa passar a colocar um aviso apenas quando o elevador está a funcionar. Algo como: "Equipamento temporariamente em funcionamento".
[AIM - Demonique]
Fez hoje 60 anos que o Mini foi apresentado oficialmente ao público.
(E nem sequer uma notazinha de rodapé nos jornais?)